Defendant of Love

(Aum Atichart Chumnanon, Aff Taksaorn Paksukcharoen, Joy Rinlanee Sripen)
Dirigido por: Krit Sukramongkol
Ano: 2008

Minha sinopse

Um cara machão se vinga da mulher que fez seu irmão se suicidar.

Minha opinião:

Eu achei que esse negócio de imitar novelas mexicanas fosse coisa de Filipinas, mas Defendant of Love, um Lakorn (drama tailandês), é a cara da ideia central de La Mentira. Aliás, pelo que notei, a segunda grande semelhança com uma novela mexicana é o poder incrível da maquiagem! Mulheres acordam e saem do banho maquiadas. E elas suam, andam na chuva, são jogadas ao mar, mas o delineador, o rímel e a sombra metálica estão sempre lá!

Ou seja, o cara vai se vingar de uma mulher, e a confunde com a prima, se vingando, assim, da mulher errada. A diferença é que o mocinho mexicano é bem menos violento e psicopata que o tailandês. Achei o cúmulo do absurdo Harit sequestrar a Soraya, a levar para uma ilha particular e a torturar com trabalhos forçados. Mas acho que minha pressão arterial subiu mesmo quando ele a obriga a ter uma relação sexual com ele contra a vontade dela – o que, em qualquer terra, se chama estupro. Toda essa violência contra a mulher quase me gerou um câncer! Durante o drama, somos levados a pensar que, como a intenção dele era se vingar de Sansanee, tudo bem, já que a San merecia por ter abandonado o irmão dele. Mas, veja bem, é direito um dela ser quenga, isso não é crime! O irmão dele se matou por ser um fraco. Crime, até onde eu sei, é sequestrar, acorrentar e violentar uma mulher.

Mas para ainda se ter um galã, nos é imposta a figura do mocinho que, por trás daquela violência, é justo, nobre e cuida dos fracos. Harit é bom com seus empregados, se preocupa com a natureza e tem seus atos respaldados por um trauma do passado. Isso faz com que a mocinha desenvolva Síndrome de Estocolmo e logo os dois apresentam os primeiros indícios de que estão apaixonados durante o sequestro. Gente? Sinceramente, eu achei que não conseguiria chegar ao final do drama com vida.

Mas aí vem a segunda fase, que, para mim, começa quando Harit descobre o erro que cometeu e perambula por um episódio inteiro com aquela cara de cachorro que peidou na igreja. De repente ele é um cara apaixonado, que vai atrás de Soraya em Bangkok querendo seu perdão. E depois de tudo o que ele fez, fui levada sem querer a gostar dele e torcer para o casalzinho se acertar. A minha preocupação é: o que vai acontecer com o mundo se as mulheres passam a acreditar que todo cara violento pode virar um apaixonado, que diz um ‘eu te amo’ por episódio como Harit?

Primeiro eu tinha pena da Soraya, claro, porque ela estava sofrendo. A atriz não dava conta do esforço que a personagem tinha que fazer, mas eu entrava na estória e me deixava levar. Só que ela foi ficando sacrificada demais para o meu gosto, tudo pela dívida que tinha com a prima, a Sansanee, que até então cobrava gratidão da Soraya por tê-la resgatado quando quase morreu afogada na infância. Meu Deus, mas a So não assumiu o papel da prima e aceitou os castigos do Harit? Dívida quitada, próximo!

E San, a responsável disso tudo, continuava lá flertando com o Tawaschai, um empresário rico e bom partido em potencial. Até que ele era um cara legal, só estava meio enrolado tentando se livrar da amante barraqueira. Não conte para ninguém, mas eu adorava os barracos dela com a San e todo aquele papinho de ‘você não vai tirar meu homem de mim’. Bom, eu não entendo essas mulheres sem orgulho que se esbofeteiam por homem, mas que elas me divertem, ah isso sim!

E não só elas! Não dá para esquecer da maluca da Boontai, que adorava dar na cara Soraya por ciúmes do Harit. Mas essa era chata demais, credo. Só ganhou pontos comigo na cena em que senta uns tapas na San, pelo mesmo motivo de sempre. Mas, uma pessoa que vive pra dar na cara dos outros não merecia o amor do Bai, o capataz mudo do Harit.

Uma coisa me deixou intrigada no Bai. O Harit fazia sinais pra ele como se ele também fosse surdo, mas ele ouvia! Ele atendia quando o chamavam e entendia perfeitamente o que as pessoas diziam. Acho que ele se fazia de bobo. Eu gostava dele porque ele ajudou um pouco a Soraya quando ela era prisioneira. Além disso, eu tinha dó, já que gostar da Boontai e tomar porrada do chefe (sim, acredite!) não deve ser nada fácil.

Eu gostava do Nukul, o cara que vai morrer virgem e que só toma uma atitude decente nos dois últimos episódios. Valeu a espera, porque é ele quem revela que a dívida de gratidão da So nunca deveria existir, já que foi ele quem a resgatou do laguinho. Tadinho, ele foi importante, mas acabou na beiça como é o destino de todo carinha que é a fim da mocinha em dramas asiáticos, triste.

Os protas ficam juntos, claro. E o finalzinho em que o Harit se deixa ser torturado pela esposa, fazendo tudo o que ele a obrigou a fazer, foi um pequeno grande deleite para mim. Achei digno e espero que depois do casamento ele cumpra a promessa de cuidar e respeitar a So para sempre. Porque, pelo visto, não tem uma Lei Maria da Penha por lá. Ah, e não tem beijo. É, não tem, é chocante, mas depois disso tudo não tem. Tudo bem, eu não ligo mais pra isso e confio no poder dos asiáticos de fazer romance sem beijos.

Ponto alto:

A segunda tentativa de vingança do Harit – fazer a Sansanee se apaixonar por ele do mesmo jeito que o irmão a amava – foi realmente bem mais sagaz. Foi quando eu colei de vez no drama e esqueci todo meu ódio pela trama machista do início. Pulei de expectativa, por exemplo, quando a So achou que estava grávida do Harit, e quase morri de decepção quando ela descobriu que não estava.

E foi lá para o final, quando o Harit já está ultra mansinho e apaixonado pela So, que a San rouba a cena como vilã perfeita que é! Ela passava o dia fazendo compras, era quenga, queria o homem mais rico, batia na empregada, dava na cara da prima boazinha, e ainda tentou matá-la no laguinho de onde, segundo a vilã, So nunca deveria ter saído. Eu sabia que a hora de brilhar dela chegaria. O último episodio é só dela, que termina abandonada por todos no melhor estilo drama, depois de altas revelações e muito choro. Por que o Harit não pensou nisso desde o início?

Absurdo maior:

Fora a violência e o estupro, que obviamente foram um absurdo, achei muito esquisito que todo mundo tenha ficado tranquilo depois que o Harit confessa o que fez com a Soraya. O tio dela, que era um pamonha, eu até tento entender, mas como explicar a inércia da própria mãe?! Que mãe é essa que escuta um estranho dizer que pintou e bordou com sua filha e apoia a relação dos dois? E, além de não chamar a polícia, ainda tem uma conversa com a filha, aconselhando que a moça se entregue à paixão. Não é possível, vai ver ela andou tomando muito chá de erva medicinal quando era jovem. Isso explica ela mandar a filha morar na cidade e continuar isolada numa casa criando diversas plantinhas suspeitas.

Moral da história:

Tapa de amor parece que não dói mesmo.

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